É verdade que tomar altas doses de ibuprofeno pode atrasar a menstruação?
O ibuprofeno é um dos medicamentos mais utilizados para aliviar cólicas menstruais, mas muitas mulheres acreditam que doses elevadas podem interferir no ciclo menstrual. Este artigo esclarece se existe fundamento nessa crença e o que a ciência diz sobre o tema.
O ibuprofeno pertence à classe dos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e age bloqueando as enzimas que produzem prostaglandinas. Essas substâncias estão envolvidas na dor, na inflamação e nas contrações uterinas que ocorrem durante a menstruação. Ao reduzir as prostaglandinas, o medicamento alivia as cólicas e pode diminuir a intensidade do sangramento.
A redução das contrações uterinas pode, teoricamente, retardar a eliminação do endométrio e consequentemente atrasar o início do sangramento. Estudos observaram que o uso de AINEs em altas doses, especialmente quando tomados antes do início esperado da menstruação, pode adiar o período em um a dois dias. O efeito não é universal e costuma ser leve e reversível.
É fundamental destacar que o ibuprofeno não deve ser utilizado como método para adiar a menstruação intencionalmente. O uso de doses elevadas por vários dias consecutivos (acima da dose padrão de 400–600 mg a cada 6 horas) aumenta o risco de efeitos adversos como gastrite, úlcera, lesão renal e eventos cardiovasculares. A automedicação irresponsável pode trazer sérios danos à saúde.
Se a menstruação atrasar, as causas mais frequentes incluem gravidez, estresse emocional, alterações hormonais, variações de peso e condições como síndrome dos ovários policísticos e distúrbios da tireoide. O ibuprofeno isoladamente raramente provoca um atraso superior a três dias, e muitas mulheres não experimentam alteração alguma.
Para quem utiliza ibuprofeno ocasionalmente no tratamento de cólicas, não há motivo para preocupação. Os possíveis pequenos atrasos são temporários e o ciclo tende a se regularizar no mês seguinte. Caso o atraso persista ou haja dúvidas sobre o uso do medicamento, recomenda-se buscar orientação de um ginecologista para uma avaliação personalizada.