Quando a dilatação do colo do útero atinge os 10 cm, considera-se que o trabalho de parto está em fase ativa completa. Nesse momento, o bebê deveria iniciar a descida pelo canal de parto. No entanto, em alguns casos, mesmo com a abertura total, o bebê não desce. Esse quadro pode ter diversas causas. Abaixo, explicamos as cinco principais razões e o que pode ser feito em cada situação.
1. Posição fetal inadequada
A posição mais favorável para o parto vaginal é a occipitoanterior (cabeça para baixo e olhando para a coluna da mãe). Quando o bebê está em posição occipitoposterior (de frente para o abdômen da mãe) ou transversal, o diâmetro que precisa passar pela pelve é maior, dificultando o encaixe. Isso pode prolongar o trabalho de parto e causar mais dor nas costas. A equipe médica pode tentar reposicionar o bebê com manobras específicas ou sugerir posições que favoreçam a rotação, como ficar de quatro ou de lado.
2. Desproporção cefalopélvica
A desproporção cefalopélvica (DCP) ocorre quando a cabeça do bebê é grande demais para a pelve da mãe, ou quando a pelve tem um formato que não permite a passagem adequada. Pode ser relativa (temporária, devido a má posição) ou absoluta (estrutural). O diagnóstico é feito por exame clínico e, muitas vezes, por ultrassom. Quando a DCP é significativa, o parto cesárea pode ser a via mais segura.
3. Contrações uterinas ineficientes
As contrações precisam ser fortes e rítmicas para empurrar o bebê para baixo. Se as contrações se tornarem fracas, irregulares ou muito espaçadas (hipoatividade uterina), a descida pode parar. Isso pode ocorrer devido ao cansaço materno, desidratação, ou uso de analgesia. A administração de ocitocina sintética e a hidratação intravenosa podem retomar o ritmo adequado das contrações.
4. Exaustão materna
O trabalho de parto prolongado consome muita energia. A mãe pode ficar exausta, reduzindo sua capacidade de fazer força e até mesmo diminuindo a frequência e intensidade das contrações. O ambiente de parto estressante também contribui. Medidas de suporte como descanso, alimentação leve, massagem e encorajamento podem ajudar. Em alguns casos, uma pequena pausa com medicamentos para repouso uterino pode ser considerada para recuperar as forças.
5. Obstáculos físicos
Algumas condições físicas podem bloquear o canal de parto. A mais comum é a circular de cordão umbilical, que pode estar enrolada no pescoço ou no corpo do bebê. Outras obstruções incluem tumores pélvicos, miomas uterinos, placenta prévia (quando a placenta cobre o colo do útero) ou anomalias pélvicas. A avaliação com ultrassom ajuda a identificar esses obstáculos e a planejar a melhor conduta.
O que fazer?
Diante de qualquer parada na descida do bebê, a equipe médica deve reavaliar a situação. Medidas como mudança de posição da mãe, administração de ocitocina, hidratação e suporte emocional podem ser tentadas. Se necessário, o parto instrumental (fórceps ou vácuo) ou a cesárea de emergência podem ser indicados para garantir a segurança de ambos. O mais importante é que a decisão seja compartilhada com a gestante e baseada em evidências.
Cada parto tem suas particularidades. Conhecer as possíveis causas de um parto que não progride ajuda a gestante a se preparar e a confiar na equipe que a assiste.
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